Eu nem estava com vontade de escrever. Estou com sono, mas uma força estranha me fez abrir o bloco de notas. Aí eu escuto de fundo a música que diz "Vou deixar que o destino mostre a direção".
Só que o destino não mostra direção nenhuma!
Direção, pra mim, é uma seta simples que indica o caminho a seguir antes do primeiro passo. O destino faz exatamente o oposto. O único caminho que ele deixa você ver é a trilha do caminho que já foi.
Eu evito pensar sobre os meus problemas exteriores, meus relacionamentos mal-sucedidos, mal-acabados... E então, meu infinito interior grita! Me chama, me consome.
Eu acho tudo que me cerca tão vão e passageiro. A importância que tudo tem me parece tão transitória. E eu não digo isso baseada em uma filosofia qualquer, digo porque sinto. Eu sinto algo maior, mas não vejo.
Porque eu sou uma mistura misteriosa de sensatez e impulsividade. De vida e morte. De paixão e indiferença. De amor e tristeza. De ousadia e medo. Clichet.
Eu sou igual a todo mundo.
Nunca fui brilhante, talentosa, bonita. revoltada ou diferente.
Eu nunca me encaixei.
Sempre houve algo que me fez sentir alheia.
Mesmo que fosse só para mim...
A saia de tule azul celeste quando deveria ser royal na apresentação da escola. O papel crepom que Tia Cirlene usou não me fez sentir igual. Porque a minha era a única saia não-royal.
E isso, acredite, um dia me fez bem.
Hoje eu sei olhar de fora, consigo me manter impassível.
Aprendi a analisar objetivamente ao envolver-me subjetivamente.
Eu aprendi a construir minha Liberdade.
E ela é indestrutível. Porque é só minha.
Nota:
A história da saia de tule azul celeste é a seguinte:
Era um colégio de freiras. Três meninas. A primeira, filha única, mimada e egocêntrica. Era magrela, tinha um longo e liso cabelo preto, olhos verdes e uma pinta no canto da boca. A segunda tinha um channel de fios loiros e escorridos. Tinha bochechas grandes, mas era bonita. A terceira era esta que vos fala. Tinha seus oito anos e era a única gordinha. Seus cabelos, acinzentados e encaracolados não tinham um aspecto, digamos, favorável.
Eram, as três, amigas.
Para um evento da escola, as freiras organizaram uma apresentação. A música tinha aspecto de pó. Parecia ter sido tirada de um vinil antiguíssimo de cantos gregorianos. Mas elas sentiram-se felizes por terem sido escolhidas para dançá-la.
E então, os preparativos. Os ensaios. Quem coreografou os passos foi a própria freira que as havia convidado. Não foi difícil aprendê-los. O traje, segundo a freira, era simples. Uma saia de tule azul royal e um collant branco. "Collant? Aquela pecinha justa que usava no balé?" Sentiu um tocar de desapontamento. "Vou ter que encolher a barriga", pensou. A saia foi Dona Rosinha quem fez. A velha costureira conseguiu deixá-la bonita, embora a menina achasse que tinha algo errado.
Finalmente chegou o dia da apresentação e ela esperava ansiosa a chegada da noite para dançar. Ao entrar na sala onde estavam as crianças que também se apresentariam naquela noite, ela sentiu um olhar pungente pesar sobre si. Tia Cirlene pegou-a pelo braço e correu levá-la à sala dos professores apanhar algo. Abriu o amário e tirou um rolo de papel crepom. Pegou o grampeador que estava na mesa e olhou para a garota. Os demais professores não perguntaram. Olharam para a menina, para a saia, para o papel e para as duas meninas de saia azul royal paradas na porta da sala com olhar confuso. Tia Márcia, então, veio ajudar. "É só colocar esse papel aqui por baixo e esse azul celeste vai parecer royal".
As meninas dançaram, bonitas, com suas saias azul royal e collant branco.
Ela riu-se e dançou sozinha com uma saia de tule azul celeste e papel crepom.
Vitrola: Os Segundos - Cidadão Quem
Friday, November 28, 2008
Wood Duck
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Thursday, November 13, 2008
de moi à moi
Você não presta.
Simplesmente não é flor que se cheire.
Cheguei hoje à essa conclusão.
Já podia ter chegado há tempos.
Você sempre consegue fazer a coisa errada.
Em busca de sabe-se lá o quê, mete os pés pelas mãos.
Isso é ausência?
É Medo?
Vontade?
Segredo?
Isso não te faz feliz.
O que você realmente quer?
É preciso definir algumas metas na vida
Estabelecer algumas restrições
É necessário ter em vista o futuro concreto, não só o abstrato.
Amanhã existe mais que ano que vem.
Preste atenção.
Ande na linha.
Quem você pensa que é?
Vitrola: I Stay Away - Alice in Chains
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Sunday, November 9, 2008
Há quem goste...
Primeiro os olhares. Aqueles do tipo planejados para parecerem casuais e que, na realidade, são lançados exatamente para serem captados.
Logo (demais) vem o olá.
Aquelas conversas sem tato, sem intensidade, superficiais...
O jeito tradicional de se aproximar.
Para que começar profundamente?
É melhor checar se vale a pena...
Um manual de instruções para fisgá-la direitinho.
Afinal, fisgaria qualquer uma.
O que ela gosta, lê, come, ouve?
Importa?
Por enquanto eu vou jogando meu papinho de bonitão.
Se não der, outra dá.
Um comentário: "Bonitões" nunca me impressionaram.
Vitrola: Le Plus Beau Du Quartier - Carla Bruni
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