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Monday, September 17, 2012

Clichês


Eles vivem espalhados por aí. Já é impossível separar o que é novo do que é cópia.
Houve uma época em que eu acreditava ser possível escapar do "mais do mesmo". Andar na contramão, vibrar em outra frequência. Mas, por maior que seja a vontade de voltar à ingenuidade de outrora, chega-se a uma constatação inevitável: evitar clichês é impraticável.
Retuítes à exaustão, tudo é compartilhado e quotes são indispensáveis para expressar opiniões e sentimentos. Afinal, quem sou eu para dizer que o amor é difícil, que a tristeza é uma merda ou que rock é melhor que axé? Para dizer sempre a mesma coisa, não se precisa de palavras diferentes.

A personalidade se perde, o novo se perde e a beleza se perde.

O Vão da Aliteração

Se nada mantém
Se o Devir Eterno sempre vem
E vai ver nos convém
Fingir que vai tudo bem
Mas o que é eu faço?
Quem é que vai ajudar meu passo
Agora que já não posso
Mais dar a torcer o braço
E voltar pro berço
Rezar o terço
E dizer que mereço
Entrar no céu
Me abrigar no dossel
Da irreflexão
Comer feijão
E o pão
Que o diabo amassou e deu pra mim
A sorrir e dizer assim:
"Vem. Vem pro meu festim.
Vai ser bonito."
E hoje, eu reflito
O meu tempo tão aflito
Minha existência profunda e rasa
Profana e em casa
Eu me recolho
Abro a folha e fecho o olho
Enxergo pra dentro
Procuro o centro
Qualquer coisa de simetria
Algo que me faria
Encontrar a farinha
Pro pão nosso de cada dia.