Cada passo meticulosamente planejado. Acordava todas as manhãs com a certeza de ter certeza. Com a convicção de que o plano estava sendo seguido e os sorrisos, alimentados. Expectativas que, embora não fossem estratosféricas, eram grandes. Grandes e pesadas. Mas ela, distraida, não sentia o peso. Acreditava que aquele era o normalíssimo fardo da vida, o peso do ar que preenchia e inflava suas vísceras. Nada mais que o ordinário peso de existir.
O tempo a provou errada. O calmo e imprevisível deus do relógio mostrou que os fardos existem para quem se propõe carrega-los. E que, por mais que seja impraticável livrar-se de todos os pesos, muitos deles são desnecessários. O peso da obrigação de estar certa era inútil. O ímpeto de atender a todas as expectativas era muito - talvez até mesmo totalmente - dispensável.
E ela passou a concentrar todas as suas forças para finalmente desatar seus fardos. Sim, essas são as espécies de fardos que exigem força não para levanta-los do chão - pois nascem intrínsecos, coladinhos ao pé da alma - mas para solta-los por terra, rescindi-los e por-se de pé novamente.
Ela preparava-se para levantar-se. Sem os fardos dessa vez.
Wednesday, October 10, 2012
Peso Líquido X Peso Bruto
arquivado por Who are you às 14:33 0 comentários
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