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Tuesday, August 18, 2009

Aquele em que ela cai

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Um dia que já não começou bem.
Para começar chovia e ela precisou acordar cedo. Bem cedo. Cedo como há tempos não acordava - 6h30 da manhã...
Ao ouvir o alarme do celular que deixava em cima da escrivaninha (justamente por ser obrigada a levantar para desligar) acordou e levantou correndo - odiava aquele maldito alarme.

Resolveu programar o despertador para tocar novamente às 6h45 e trouxe o celular para a cama. "Assim já vou pensando no que vestir e não perco tempo depois..." Fazia sempre isso, mas nunca decidia que roupa vestir enquanto ainda estava sob os cobertores.
Típica auto-sabotagem...

6h45, era hora de levantar.
Vestiu a primeira calça que encontrou e a janeta com capuz de chuva. Botou um tênis que nunca usava - não queria sujar o all star branco na primeira poça do caminho que certamente pisaria.
Naquela noite, havia chovido torrencialmente e ela havia esquecido a janela do banheiro entreaberta. O banheiro amanhecera alagado.

Ao deparar-se com as lajotas molhadas, não foi buscar um pano para secar como mais tarde dissera à mãe. Nem ligou... Secaria aquilo mais tarde... Quem sabe...
E foi só dar meia-volta para aquele maldito tênis semi-novo vingar-se pelos anos de descaso em que passara guardado em uma caixa empoeirada
Ao primeiro passo, perdeu o atrito e despencou. Doeu. E não foi pouco.

Na rua, evitou as calçadas lisas; ficava imaginando cair de novo com aquele maldito par de tênis. Pensando bem, deveria ter enfiado aquele pisante insolente de volta em sua caixa logo que ele a fez encontrar o chão.

A manhã passou voando de tão leve, de tão vazia...

Na volta, o céu cinza apenas garoava e ela preferiu não abrir o guarda-chuva. Queria sentir as gotas de água batendo em seu rosto - sem um pingo de rímel ou corretivo para esconder olheiras.
Chegou em casa e estava sozinha. Começou a sentir-se bem. Vestiu o pijama e terminou de assistir o musical que não terminara na noite anterior.

O tombo ainda doía...
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Wednesday, August 12, 2009

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Vinte metros quadrados - queria que fossem verdes.
Um refúgio, uma linha forte que separava sua alma da mediocridade reinante.
Ali sentia-se segura, à parte das diferenças pungentes, das vozes altas, das superficiaidades...
Era o único lugar ao qual podia dizer que pertencia.
O único lugar onde podia sonhar, onde podia sentir-se livre, onde podia desprender seus pés do chão mesmo que fossem por alguns segundos...

Sobe a escada.
Fecha a porta.
Apaga a luz.
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Sunday, August 9, 2009

Humana Demais

A questão é que todos sabem que sentimentos não são o que podemos chamar de definíveis.
Mas não importa, eu gosto de tarefas complicadas.

Felicidade é uma coisa estranha.
A idéia universal do conceito transmite uma sensação de constância. Como se quem fosse feliz nunca pudesse ser triste. Como se quem fosse triste nunca pudesse sentir lampejos de felicidade.
Bem, se for assim, felicidade não existe.
Ou, se for assim, eu não sou feliz...
Acho que, se fosse assim, felicidade devia chamar-se plenitude.
Plenitude é utópica. É aquilo que passa em comerciais de margarina ou de caldos Knorr e que tudo mundo finge não saber ser mentira.
Ninguém é pleno.
Ser pleno é não existir.

Ser humano é passar por altos e baixos...
É buscar um dia de solidão para pensar (ou não).
Entrar em contato consigo mesmo e só.
Abrir um caderno e despejar palavras sem muitos porquês.
Ouvir a trilha do filme preferido deitada no telhado e olhando o céu.
Tomar banho no escuro de madrugada.
Não querer ver ninguém.
Querer ver alguém.
Não conseguir segurar as lágrimas e chorar sem saber por quê.
Sentir um peso insustentável simplesmente por existir.

Ser humano é não ser pleno.
Ser humano é ser triste/feliz.

Vitrola: Toss the Feathers - The Corrs