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Tuesday, November 2, 2021

Out

 Noite de domingo, 31 de outubro de 2021.

Após o último desentendimento, acertaram que dariam um tempo.

Não foi sem aviso. Por anos ele vinha alertando sobre um fim evidente e agora ela já estava convencida e preparada. 

"Acha que não tenho medo de te perder?/ Eu achava que íamos ter filhos juntos, ficar velhos juntos/ É melhor do que esperar um ano que eu já não vou mais ter sentimento nenhum por você."

Ela começou a procurar apartamentos, mas a amiga lhe falou que aluguel era só com contrato de 1 ano. -Claro, pensou. Mal lembrava como o mundo era lá fora. -Procura um Airbnb, disse a amiga. E assim ela alugou por um mês um quarto sem contrato e pelo dobro do valor.

No dia seguinte, passou o dia todo se forçando a focar no trabalho que precisava dar conta mesmo em casa e num feriado. 

Às 20h, ele chega. Mal dá oi. Vai tomar um banho. Depois, ao encontrá-lo na sala, ela o vê se arrumando pra sair. -Vai sair? -Vou. Por quê? -Quero saber...

Então ela lhe conta que vai pra um Airbnb e que ia levar só algumas coisas, ia deixar o resto pra depois. Seu semblante impassível a deixava nervosa, e aí ele diz "A casa é sua". Só que era claro que a casa não era dela. Ele disse de novo que ia procurar um lugar, que ela podia ficar. Ela achava que ele tinha um pouco de dó.

Sua expectativa para esse momento era irreal e ela sabia. No fundo, queria que chorassem juntos e velassem juntos o fim.

O que ele fez com a informação de que ela estava saindo no dia seguinte foi seguir com o plano de sair com um amigo. Amigo recém solteiro e cheio de aplicativos no celular, ela não dava conta de ignorar.

Ela passou a noite toda velando sozinha. Arrumou as malas e foi esvaziando alguns espaços. Selecionou o que ia levar para o desconhecido e juntou boa parte do que deixava no quartinho dos fundos. Pelo resto da casa, escondeu seus vestígios. Tomou esse cuidado porque o imaginou fazendo isso às pressas antes de receber ali outra mulher. Preferia, ela mesma, cobrir seus rastros.

Como ela era dramática. Se demorava em cada cômodo, buscando o que deveria levar e se despedindo das paredes, dos móveis, das memórias.

Pegou o diário e leu sobre os dias do início, sobre as crises e escreveu sobre o fim.

Entendia esse "tempo" como um prólogo do fim. Sabia que só o trabalho de um bom tempo poderia realizar as mudanças necessárias para que dessem certo. 

Mas muito tempo ninguém tem.

E ela não era boa de timing.

Thursday, August 6, 2020

Lose Lose

Não sabia o que fazer.
Parecia que ia perder algo de qualquer jeito...

Se ficasse, se apagaria encostada numa identidade capenga e em grande parte forjada pelo outro.
Reforçaria que não conhecia seu valor, que seus anseios eram menos importantes que o tal amor.
Achava tanto que amava. Mas amava mesmo?
O próprio "alvo" desse amor alegava não sentir e questionava a qualidade do que recebia.
Queria mais e melhor, mas ela não sabia como amar diferente.
Ela só sabia fazer sobremesa, ser cheerleader, interromper, se atravessar e se atrapalhar...

Como queria ser diferente, ser assertiva e, dessa forma, mais poderosa.
Sentia-se tão fraca...

Se ela fosse embora, sentiria tanta falta dele... Sentiria falta de cada mínimo detalhe dele.
Acho que sentiria falta até das chatices e das broncas que detestava tanto...
Se fosse embora, ficaria perdida, sem território, insegura, incerta, sem música e sem cor.

Não queria ir, mas não queria ficar.

Wednesday, June 3, 2020

Can't help it

Lera ilegalmente que ele tinha saudades de outros corpos, novos corpos, corpos diferentes. Entristecera profundamente pela sensação de que o fim estava chegando. Eles jamais conseguiriam a proeza de ter um relacionamento aberto. Haviam se constituído um casal muito fechado em si, ciumentos dos corpos, da atenção e até do tempo.
O fato de saber expressamente de suas vontades não espantou. Tratava-se do óbvio. Essa geração banhada a sabonete de Nana Gouvea tinha a cabeça alvoroçada desde sempre. Queriam todas e não sabiam esperar.
Mal sabiam esperar, fato sacramentado na duração do coito. Sempre curto, sem preliminares, sem afeto, sem safadeza. Pensou que quem devia estar suspirando por outros corpos era ela. Culpa da consciência machista cristã, nunca nem pensara em expressar um desejo assim. Saudade de dar para outros homens, outras cores, outras texturas, outros ritmos. Sobretudo, tinha saudade de flertar e se sentir desejada. Talvez fosse essa a vontade dele também, o interesse de outrem.
O que doeu naquela noite foi saber que ele estava mais à frente nessa vontade. Saber que provavelmente não iam se safar, que iam se perder.

Sunday, March 29, 2020

"Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita"

Sentiu sobre si um dos piores olhares que já havia presenciado.

Era um misto de indiferença com cansaço e um pouco de asco.
Foi a primeira vez que viu o vazio da ausência do amor.
O amor dele estava morrendo e não havia nada que seu turbilhão de palavras pudesse fazer.

Ele tentou arejar o ar, lhe fez um café. Só que aquela centelha de ideia já havia aterissado no solo da mente e causado algum estrago.

Ela desejou com toda força calar-se e preparar-se.

Friday, March 27, 2020

Há quase exatamente um ano atrás, ela sentou para escrever algumas palavras.

Essa vontade só surgia de vez em nunca. Era necessário um conjunto de requerimentos específicos de set and setting que raramente se combinavam. Precisava estar triste, o que era até comum, mas também tinha que sentir o tempo meio devagar. Era impreterível a sensação de descer do mundo e subir à superfície. Tinha que olhar pra alma mesmo com vergonha.Olhar para quem era. Pra quem havia sido. Escreveu assim:

Era quarentena de Corona vírus. Março de 2020. 
Havia se tornado um pouco comum que amigos se ligassem por vídeo para saber como estavam. Meio que magicamente, as pessoas passaram a não ter como dizer que estavam ocupadíssimas e, pra dizer a verdade, era até bom ver um rosto amigo após passar dias a fio em casa. 
Ele estava no sofá e conversava com umas pessoas que ela não conhecia enquanto ela, silenciosamente e sem lhe dirigir a palavra, passava pela sala. Recolheu umas roupas do varal, fez sopa de feijão, tomou banho e fechou-se no quarto novamente. Mesmo quarto no qual havia se prolongado pelas duas horas de silêncio que antecederam o varal e a sopa.
O silêncio lhe dava asco. Nunca havia aprendido a lidar com silêncio pacífico, quem dirá com silêncio hostil.
Tinha vontade de pegar o silêncio e quebrá-lo com uma machadada.
Essa era a hora em que se convencia que não queria mais. Que não precisava daquilo, que merecia mais amor, mais compreensão. Afinal, se aconselhava, amor não é duro, amor acolhe...
Na sequência, se auto-refutava pensando (e recorrendo àquele vídeo da School of Life) que essa busca pelo ideal do amor parental é a maior balela já inventada. Quando foi que se estabeleceu que esse amor tão amoroso existe? Pois quase nunca existe e, quando existe, imaginava, era algo como encontrar um bilhete premiado da loteria no chão de um banheiro público. Enquanto isso, todos os outros reles mortais continuavam a bater com a cabeça na parede com amores mancos.
Mudar. Quem é que consegue mudar? Dá pra acreditar em mudar?
Será que não era a hora de ser pragmática e desapegar da história? Da tal beleza dos acasos, outrora tão relevante? 
Súbito, o ar lhe pareceu rarefeito. Chega. Quis subir no mundo, submergir às entranhas, comer a sopa.

Sunday, March 31, 2019

Outono

Preparava-se pra a segunda-feira da forma mais realista que já havia feito.
É o inevitável. Domingo acaba, o tempo também e é vida que segue.
No ano novo, ela havia decidido ser mais otimista, agradecer mais e encarar a segunda feira de peito aberto.
Mas tava difícil.
Precisava de tempo, de olhar para dentro, de subir à superficie.
Era mais um daqueles momentos em que ela sabia que estava se transformando e que encapsular-se era importante.
Mas onde? Que horas? Como?
São Paulo estava sendo tão cruel...
O cinza estava mesmo penetrando os pulmões.
Tinha que fazer alguma coisa logo.

Saturday, November 4, 2017

Estava com o cabelo comprido como provavelmente nunca antes.
Quando ia secar, demorava.
Foi então que resolveu fumar um beck e pegar um fone. Pensou em ouvir alguma coisa que a distraísse do árduo e moroso exercício de secar as grenhas.
Percebia como era bom estar sozinha dentro da própria cabeça. Sem se preocupar com interações, preocupações e burburinhos cognitivos adicionais.
Preparou uma playlist de 10 músicas, aleatoriamente todas cantadas por meninas, exceto por 2 do Dr Dog.
Fez lipsink e dançou como numa boate aos 22.

Foi catártico.

Friday, November 13, 2015

Estranhou o assobio forte do vento que passava por debaixo da porta do banheiro.

Estranhou também perceber ao vivo o tipo de sensação que geralmente sentia quando escrevia sobre o que sentia. O barulho não era só do vento que antecipava a tempestade lá fora. O barulho também era interno.

Fez a advogada do diabo que costumava fazer só por fazer. Vai ver não era nada, só vento encanado. Não era uma moradora de prédio experiente. Talvez fosse isso mesmo.
Não havia presenciado muitas tempestades em São Paulo desde que mudara para lá.

De qualquer forma, o barulho a assustava e incomodava.
O barulho da tempestade interna.
A vertigem de perceber que talvez sua vida lado a lado não estivesse resolvida categoricamente e sacramentada pelo destino.

Saturday, November 1, 2014

Sossego

There she was.
Laying in a generic apartment.
Listening to some generic music.
Wandering from room to room
Giving up on actually feeling home.

She has always been proud of her adventurous "not-attached-to-land" life style. But something has happened. She suspects she would love to have her own blender, her very own fridge with her very own fresh vegetables and a spices rack.
Right out of the blue, she started skipping over parties just because. She started having this genuine feeling telling her there was nothing there to look for. How weird.

How could she find a place to rest her soul?
To feel ease.
To feel home.

Monday, May 19, 2014

It's either love or just the sun in my eyes

The weight from an oncoming goodbye was making her breathless. 
That burden over her chest and was making it hard for life to spread within her veins. 
She was wondering whether that could be worse than the actual goodbye. And it probably was. 
She hated realizing how every tiny moment could potentially be missed or it could even be the last. 
Funny thought was that this feeling was an old fellow. For such a symmetry lover that was ironic indeed. Because the other time around she was exactly on the other side. She was leaving. 
Now she is being left.

Tuesday, October 1, 2013

And She Was

And she was lying in the grass
And she could hear the highway breathing
And she could see a nearby factory
She's making sure she is not dreaming
See the lights of a neighbor's house
Now she's starting to rise
Take a minute to concentrate
And she opens up her eyes

The world was moving and she was right there with it
The world was moving she was floating above it and she was

And she was drifting through the backyard
And she was taking off her dress
And she was moving very slowly
Rising up above the earth
Moving into the universe
Drifting this way and that
Not touching ground at all
Up above the yard


The world was moving and she was right there with it
The world was moving she was floating above it and she was

She was glad about it... no doubt about it
She isn't sure where she's gone
No time to think about what to tell them
No time to think about what she's done
And she was

And she was looking at herself
And things were looking like a movie
She had a pleasant elevation
She's moving out in all directions

The world was moving and she was right there with it
The world was moving she was floating above it and she was

Joining the world of missing persons and she was
Missing enough to feel alright and she was

Monday, September 16, 2013

And now you're lonely looking for yourself out there

Dei por mim numa pretensão de tentar enxergar a essência das pessoas. O que faz cada um ser o que é. Qual é a narrativa que as pessoas constroem para compor suas identidades.
Não consigo mais enxergar de outra forma a não ser que existe uma curiosa e inconsciente maneira com que criamos um "eu" e associamos a ele uma infinidade de experiências, características, medos e limitações.
Essa história que produzimos para responder à pergunta "quem sou eu" acaba determinando cada um de nossos passos de uma maneira meio assustadora. Principalmente porque algumas pessoas realmente seguem à risca seu próprio manual de "como ser eu mesmo".
- Sou Pedro Andrade e não como salada.
- Sou Silvio Campos e só consigo me soltar depois de umas cervejinhas.
- Sou Joana Matos e tenho medo de relacionamentos.
- Sou Ana Lopes e tenho personalidade forte (não mexe comigo).
Tô errada ou isso é extremamente perigoso? Viver atrelado ao que achamos que somos é como ser um ator que não consegue fugir do mesmo papel para sempre.
Eu? Eu suspeito que não tenho saco pra isso.
Na tentativa de tentar analisar a essência das pessoas, olhei pra dentro e percebi que ando me jogando demais na vida.
Vai ver a história que tenho contado à mim mesma é que ainda não quero saber que história sou.

"Love, we need it now. Let's hope for some"


inspirada, entre outras coisas, por: "Is there a real you?" by Julian Baggini (TED Talks)



Tuesday, September 10, 2013

Ah, look at all the lonely people

Aprendi a deixar algumas coisas para trás.
The more you leave, the less you lose, ouvi em algum dos filmes dramáticos que andava assistindo. Vazio, talvez, mas decidi declarar esse o meu lema (pelo menos por enquanto). Mesmo que seja difícil renunciar ao ímpeto de amarrar-se a pessoas e lugares, de buscar amor, eu me convenci: não aqui, não agora.
E aí, com o tempo, ficou natural. Fui deixando tanta coisa pra trás. Fazer as malas deixou de ser um exercício longo e cuidadoso daquela menina vaidosa. Ver tudo que tenho na vida empacotado e pronto pra despacho deixou de causar frissom. A vida fez questão de mostrar que algumas coisas simplesmente não cabem em malas e que, pra seguir viagem, é necessário se desfazer disso ou daquilo. Seja isso um porta-retrato ou aquilo, uma melancolia.
As mudanças vieram, eu fui até as mudanças e, quando dei por mim, estava aprendendo a aceitar a natureza passageira de alguns sentimentos e circunstâncias. No hard feelings.
Eu tive que aprender a viver no transitório.
Eu aceitei viver em fases.

Saturday, July 13, 2013

Amanhã o vinho vai brindar a uva


Lera em algum lugar que a felicidade genuína era a felicidade da solidão.
Algum instinto eremita lá do fundo assentiu em silêncio.
As pesquisas mais recentes acerca da felicidade apontam que os círculos de amizades e a família são o elemento principal no que se define como vida feliz, pensou. Obviedade das obviedades. Todos sabem que as pessoas que você tem na vida são mais importantes que o dinheiro e tudo mais que se possa conquistar.
É o que todos dizem, não é?
Ela recolhia-se como quem tenta confortar a si mesmo.
Sabia que estava sozinha. Mais sozinha do que jamais havia sido.
Geograficamente sozinha. Emocionalmente sozinha. Mentalmente sozinha.
Sozinha.
Ou livre?
Não era isso que queria ser?
Agora precisava lembrar-se de como ser feliz.
Genuinamente feliz.




Thursday, May 16, 2013

Nouvelle âme

I'm a new soul
I came to this strange world
Hoping I could learn a bit about how to give and take
But since I came here felt the joy and the fear
Finding myself making every possible mistake
(Yael Naïm)
Pela primeira vez, ela não sentia medo. This is a happy end. Cause you don't understand, ecoava a música ao fundo versando sobre uma nova alma. E ela, que ironia, estava começando a se encontrar naquele lugar que seria eternamente estranho. Lembrava muito bem da alma que trouxera na mala há pouco mais de um ano atrás, de todas as alegrias e aflições, ingenuidade e expectativas que foram ajeitadas meticulosamente em sua bagagem de mão. Ela tinha alma de cigana moça.
En los extravios nos esperan los hallazgos
porque es preciso perderse para volver a encontrarse.
(Eduardo Galeano)
Ela se perdeu. Perdeu-se tanto que não se reconhecia no espelho ou no chuveiro de olhos fechados. Perdeu-se num lugar estranho e dentro de si. Questionou cada esquina de seus planos e convicções. Distanciou-se para tentar ver o grande quadro de sua vida como uma camera fotográfica que oscila do micro para o macro em busca de foco. Perguntou-se, experimentou-se, colocou-se em lugares que nunca se colocaria. Teve altos, subiu ao topo de montanhas, viu cores e luzes. Também teve baixos. E foi nos baixos - em cantos e escuros - que ela olhou pra si mesma, botou a velha valsa para tocar e deparou-se com aquela nova alma.
Era o desejo de não ser um corpo como outros corpos, mas de ver sobre a superfície de seu rosto a tripulação da alma surgir do ventre do navio. Não era fácil porque sua alma triste, medrosa, perturbada, escondia-se no fundo de suas entranhas, com vergonha de aparecer.
(Milan Kundera)
Sentia que sua alma agora era maior, chegava quase a superfície. Decidiu-se que não contaria mais histórias para si mesma e nem iria depositar sua felicidade nos ombros de ninguém. Ela, e somente ela, poderia ser responsável pelo futuro que estava por vir. Naquele baixo tão baixo que estava, ela olhou para sua nova alma - meio suja, meio cândida- e resolveu-se: Não tenho mais medo.

Tuesday, January 15, 2013

A água quente que descia pelo chuveiro queimava suas costas e derretia suas convicções.
Sentia, pela primeira vez, a tristeza mais profunda; aquela que dói fundo e não dá vontade de chorar.
A tristeza de concluir que seria sempre só. Por mais que encontrasse seu "amor-da-vida", que tivesse filhos, família.
Sempre ela e suas conjecturas. Só e limitada. Até o fim.

sempre foi só nós dois: eu e minha circunstância 
sempre só nós dois: eu e eu

Sunday, January 13, 2013

Wanderlust

Sempre gostou de ficar sozinha. Desde criança, cultivava uma solidão que lhe era instrínseca, uma necessidade quase que corpórea de abandonar os laços com o mundo exterior e olhar para dentro. Fechar as portas do quarto e abrir as portas para a alma era mais que uma introspecção, era um ritual.
As vezes, Ela apenas ouvia seu rádio de pilhas deitada no chão de tacos envernizados em sua casa de infância.
Outras vezes, apagava as luzes e tomava banho no escuro ao som de uma velha valsa catalisadora.
A alma, ainda que receosa, no fim, quase sempre acabava desprendendo-se do fundo do corpo e emergindo à superfície. Esbranquiçada e sem fôlego, a alma tomava ar e cor, pesava toneladas e flutuava. Dava o ar da graça e engraçava o ar daquela menina descolorida.
Dar fôlego à alma sempre foi uma necessidade latente.
Até que Ela mudou-se e mudou.
Ao romper os laços geográficos, Ela cresceu e sentiu-se mais viva até que seu corpo deixou de habitar a pequena caixa de sapatos que habitara desde sempre até então. O transbordamento, ansiado por tantos anos, teve a pior das reações adversas: não deu vazão à alma.
Estremecida com a imensidão dos novos mares, a alma encapsulou-se. Desceu ao fundo do que ainda conhecia como corpo e passou a resistir às tímidas chamadas que Ela raramente ensaiava.
Alma e corpo distantes. A ordinariedade instrincava-se no corpo que esquecia-se lentamente o que era profundo.
Desconcronizada, Ela evitava a solidão.
Se, de um lado, a superficialidade de seu corpo lhe repugnava, de outro, o abismo dentro de si lhe causava vertigem.
Sua única disposição de espírito era esperar e confiar no tempo. O grande e inefável senhor do relógio. O único deus no qual Ela ainda acreditava.

So the waves and I found the rolling tide 
So the waves and I found the rip tide


Wednesday, November 28, 2012

Ao crescer, passamos a enxergar o mundo com mais detalhes, mais camada e menos ingenuidade.
Os fatos deixam de ser preto no branco. Oito ou oitenta, aqui e agora.
A beleza das coisas muda. Perde o invólucro quimérico da perfeição e se deixa fundir com o que é tangível.
A beleza não fica mais circunscrita apenas a um ramo de flor. Ela desce para a terra, passa pelo adubo e caminha em direção à morte.
A morte da flor que a menina arranca para decidir entre o bem e o mal-me-quer.

Sabina en Fleur

Conseguiu aquilo que buscava. Passara tanto tempo querendo ser alguém que não era que, quando se deu conta daquela estranha, perdeu o ar. Quem era ela agora? Gostava do sabor de ser outrem?
Por não ser capaz de responder às próprias perguntas, pegou uma cadeira e sentou. Acomodou-se para assistir passar os frames que compunham seus dias. Impassiva. Minimalista. Sangue-frio.

Wednesday, October 10, 2012

Peso Líquido X Peso Bruto

Cada passo meticulosamente planejado. Acordava todas as manhãs com a certeza de ter certeza. Com a convicção de que o plano estava sendo seguido e os sorrisos, alimentados. Expectativas que, embora não fossem estratosféricas, eram grandes. Grandes e pesadas. Mas ela, distraida, não sentia o peso. Acreditava que aquele era o normalíssimo fardo da vida, o peso do ar que preenchia e inflava suas vísceras. Nada mais que o ordinário peso de existir.
O tempo a provou errada. O calmo e imprevisível deus do relógio mostrou que os fardos existem para quem se propõe carrega-los. E que, por mais que seja impraticável livrar-se de todos os pesos, muitos deles são desnecessários. O peso da obrigação de estar certa era inútil. O ímpeto de atender a todas as expectativas era muito - talvez até mesmo totalmente - dispensável.
E ela passou a concentrar todas as suas forças para finalmente desatar seus fardos. Sim, essas são as espécies de fardos que exigem força não para levanta-los do chão - pois nascem intrínsecos, coladinhos ao pé da alma - mas para solta-los por terra, rescindi-los e por-se de pé novamente. 
Ela preparava-se para levantar-se. Sem os fardos dessa vez.

Monday, September 17, 2012

Clichês


Eles vivem espalhados por aí. Já é impossível separar o que é novo do que é cópia.
Houve uma época em que eu acreditava ser possível escapar do "mais do mesmo". Andar na contramão, vibrar em outra frequência. Mas, por maior que seja a vontade de voltar à ingenuidade de outrora, chega-se a uma constatação inevitável: evitar clichês é impraticável.
Retuítes à exaustão, tudo é compartilhado e quotes são indispensáveis para expressar opiniões e sentimentos. Afinal, quem sou eu para dizer que o amor é difícil, que a tristeza é uma merda ou que rock é melhor que axé? Para dizer sempre a mesma coisa, não se precisa de palavras diferentes.

A personalidade se perde, o novo se perde e a beleza se perde.

O Vão da Aliteração

Se nada mantém
Se o Devir Eterno sempre vem
E vai ver nos convém
Fingir que vai tudo bem
Mas o que é eu faço?
Quem é que vai ajudar meu passo
Agora que já não posso
Mais dar a torcer o braço
E voltar pro berço
Rezar o terço
E dizer que mereço
Entrar no céu
Me abrigar no dossel
Da irreflexão
Comer feijão
E o pão
Que o diabo amassou e deu pra mim
A sorrir e dizer assim:
"Vem. Vem pro meu festim.
Vai ser bonito."
E hoje, eu reflito
O meu tempo tão aflito
Minha existência profunda e rasa
Profana e em casa
Eu me recolho
Abro a folha e fecho o olho
Enxergo pra dentro
Procuro o centro
Qualquer coisa de simetria
Algo que me faria
Encontrar a farinha
Pro pão nosso de cada dia.

Thursday, August 23, 2012

Queda Livre


Sinto falta de alguns confortos.
Daqueles físicos da infinitude infantil.
De quando no colo da mãe cabia todo meu universo.
E da época em que qualquer leite quente trazia sono e serenidade.
Mas o tempo passa e, ao longo da vida, outros confortos me foram tirados.
Confortos psicológicos de divindades e eternidades. De juízos finais e mundos que virão.
Fui excomungada da metafísica do conforto, por assim dizer.
Especialmente hoje, sinto falta do conforto da ordinariedade. Do viver estendido estritamente as questões diárias do cotidiano.
Sem filosofias, sem interpretações e, principalmente, sem dúvidas.



Nem caiu a ficha e já caiu a ligação...



Tuesday, July 17, 2012

keep my issues strong

Admitir certas coisas causa pânico. Principalmente quando são aqueles tipos de verdade que se escondem sob lugares-comun. É difícil sair da inércia, aceitar que manter o status quo pode não ser a melhor escolha. 

É inevitável sentir-se desamparada quando o maior chichê de todos os tempos torna-se questionável. E a felicidade, será que existe?

"Se te disseram para não virar a mesa, se te disseram para esperar a sobremesa, ouça o que eu digo: não ouça ninguém!"

Friday, March 30, 2012

Ils

Há coisas que mexem com o espírito.

Algumas causam calafrios, como a recente descoberta de que a escuridão do oceano entre os crepúsculos lhe causa medo.
Outras coisas, porém, despertam um formigamento na raiz da alma. Sons suscitam sentimentos enterrados a sete palmos e ambientes fazem emergir outros personagens compartilhando o mesmo corpo que o seu. Há uma película de personalidade até então desconhecida ou ignorada.
De repente, você descobre que é mais do que só você.
Você é marias e joãos. Padroeiras e meretrizes.
Dentro de você habitam todos eles.

Friday, September 9, 2011

La valse de la sienne

Aquela valsa lhe despertava sentimentos bonitos. Abria-lhe os olhos para que enxergasse a beleza das coisas - inclusive das coisas feias.
Tornava-se mais sensível às cores dos tomates e uvas da feira. Os cheiros dos sabonetes lhe pareciam um tanto mais intenso. A ânsia por doces que a levara a entrar no mercado sumira por completo. Todas as ânsias urgentes do peito sumiram. Tudo que se sobrepunha à simplicidade de seu ser desapareceu. Lépida e sem rumo entre as gõndolas recheadas de produtos, lá estava ela em contato consigo mesma. Como há muito não acontecia, ela sentiu-se pura, leve e em paz.A alma emergia à superficie para saudá-la: "Oi, eu sou você".

Wednesday, September 7, 2011

Eternos Clichês

Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho, força e cuidado

Tuesday, June 21, 2011

Para um dia poder gritar

Guardava como se fosse preciosidade aquela frase velha: "No mais, estou indo embora..."

Thursday, October 7, 2010

Time Machine

Andava pensando tanto na pessoa que seria que acabou esquecendo-se daquela que era.
Não gostava muito de quem era. Gostava mais da imagem que via de si no futuro.

Monday, October 4, 2010

L'Âme

A alma andava escondendo-se lá no fundo.
Resolveu não dar mais as caras.
Estava receosa, oprimida, encabulada...

E ela, sem a presença quase que divina da alma,
andava desalmada por aí...
Tudo que pensava é: "Preciso partir. Preciso partir"

Depositava sua esperança ingênua em um incerto adeus.
Acreditava que o tal adeus desencadearia um processo de auto-descobrimento, de liberdade inestimada, de felicidade garantida...
Ah, quanta candidez!

Ela achava que sua partida traria a alma novamente à superfície.

Tuesday, September 14, 2010

Eu - Florbela Espanca

Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,
Eu sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

(Livro de Mágoas - Lisboa - 1919)

Friday, September 3, 2010

Nem + um dia

Vivia os dias com pesar, com pressa de que terminassem.
Bem na verdade, não vivia, assistia-os passar.
Queria que a próxima fase chegasse logo.
Um novo tempo, um novo lugar, novas pessoas.
Queria sentir o mundo como seu.
Queria sentir-se esperta, diferente, queria que seus palpites tivessem voz. E para isso, só mesmo em outro lugar que não aquela província de retrocesso.
Talvez estivesse colocando esperança demais na futura mudança. Sabia disso, mas negava-se a considerá-lo no momento
Sentia que aquele lugar era apertado demais e as pessoas, parvas por excelência.
Tinha amigos. Poucos e bons. Estes, ela levaria para qualquer lugar que fosse.
O que ela queria mesmo era empacotar suas coisas, chamar uma única pessoa e dar adeus.
ADEUS


As you blink, she's gone.

Qui suis-je? [2]

Sabina em desenvolvimento.

Tuesday, July 13, 2010

Após um longo período de análise do menù...

Me vê um draminha!
On the rocks, si'l vous plaît

Thursday, July 8, 2010

Qui suis-je?

Sabina ou Tereza?

Saturday, June 5, 2010

Eu e Eu e Eu e Eu e Eu e Eu e Eu e Eu e Eu e Eu

sempre foi só nós dois: eu e minha circunstância
sempre só nós dois: eu e eu

Thursday, June 3, 2010

Tenho andado sem inspiração.
E isso me faz pensar: seria a desgraça a fonte de inspiração para uma pessoa tão subjetiva quanto eu?
Se for assim, prefiro não tê-la mais. Prefiro buscá-la em outro lugar. Prefiro aprender a observar um pouco além do meu próprio egoísmo. Prefiro, sei lá, acordar e perceber que não nasci mesmo para escrever, filosofar, pensar...

obs: esse não é um texto dramático

Thursday, May 27, 2010

Présentation à la mode de Jeunet-Poulain

A dona do blog, Camila Who, uma estudante de jornalismo e aspirante a qualquer outra coisa de Guarapuava tem sempre o dom de não saber se comunicar. (frases confusas com apostos e adendos demonstra personalidade confusa).

Camila Who não gosta de ter revistas jogadas sem terem sido devidamente lidas

de não ser avisada quando existem azeitonas em algum alimento

nem de desenhos animados, filmes com sangue e com beijos que não acontecem

Camila Who gosta de sair da cama mais cedo que o necessario só para ter o prazer de poder se enfiar debaixo dos cobertores novamente e voltar a dormir por 10 minutos.

Gosta de tomar banho no escuro.

E também de pisar em folhas secas.

Tuesday, March 23, 2010

sinto muito blues

Talvez fosse mesmo interessante mudar o passado.
Passara o dia pensando nisso...
E se não tivesse estado lá, naquela hora, naquele lugar?
Se não tivesse feito o que fez, dito o que disse, andado por onde andou?
Seria ela diferente, ou somente mais cauta e diáfana?
Quem sabe, o que seria? (...)
E se ele também não tivesse atravessado o túnel inevitável das experiências?
Seriam eles quem são?
Teriam eles se encontrado?
Certamente não...
Não te desculpes pelo que já foi.
Não esqueça pois é tua vida.
Quebrada, cinzenta, errada.
Tua vida.

Sinto Muito Blues.

Tuesday, March 16, 2010

maybe in the air

Não perca nunca seus bons hábitos.
Não largue os livros pela metade.
Não deixe de tomar banho no escuro.
Não esqueça aquela velha valsa de melancolia.
Não deixe de andar pelas ruas com os olhos de quem nunca esteve ali.
Não pare de ouvir as velhas música com novos ouvidos.
Não pare de escrever palavras bobas pelo simples gosto de vê-las no papel.
Nunca perca sua essência.
Nunca esqueça quem você é - caso o descubra.

Wednesday, October 7, 2009

Andava com toda a cautela de quem anda com o coração na mão. Dava passos firmes e sentia-o debatendo-se entre os dedos. Ele queria pular. Atirar-se no chão. Acabar de uma vez com o nó que a fazia sentir na garganta. Borboletas lépidas voavam em seu estômago e ignoravam que ela estava só. Somente ela e suas circunstâncias...

[Alívio Imediato]

Wednesday, September 30, 2009

Noite Liquefeita

Sentia a água cair-lhe quente sobre os ombros.
Sentia a alma sendo lavada.
Precisava desses rituais esporadicamente.
Ela, só ela e o escuro.
O som daquela velha valsa ressoando abafada pelo vapor despertava-lhe um sentimento estranho, que não conhecia e que só dava as caras em situações como essa.
Lembrara-se do romance que havia acabado de reaver. Sentiu-se, por um instante, como aquela heroína sem nome.
Horas atrás fizera uma ligação sem resposta.
Entendera o recado...
Ela e seu maldito dom da metáfora.
Agora estava ali... Mexendo-se para experimentar a água com êxtase.
Sentia a alma na superfície, fechava os olhos e podia quase tocá-la...

escrito em 29/09/09 às 23h42

Friday, September 25, 2009

La plébéine

Hoje eu sei que não sou princesa porque princesas não descobrem, aos cinco anos, que contos de fadas não existem...
Princesas não aprendem cedo que o mundo não é perfeito e que nem todas as pessoas são felizes...
Princesas não andam de chinelo e não vão ao banheiro
Elas não se despenteiam e não sabem o que é tomar um porre e acordar com a boca seca
Princesas não erram, são sempre vítimas e não mentem
E princesas não lavam suas roupas!
Princesas não leem livros e não escutam rock'n'roll
Não vestem calças jeans e não pintam as unhas de vermelho, roxo, azul...
Princesas são perfeitas, não erram o passo e não entram na contramão...

Princesas são fantasia
Eu sou alma, densidade, coração

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Tuesday, August 18, 2009

Aquele em que ela cai

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Um dia que já não começou bem.
Para começar chovia e ela precisou acordar cedo. Bem cedo. Cedo como há tempos não acordava - 6h30 da manhã...
Ao ouvir o alarme do celular que deixava em cima da escrivaninha (justamente por ser obrigada a levantar para desligar) acordou e levantou correndo - odiava aquele maldito alarme.

Resolveu programar o despertador para tocar novamente às 6h45 e trouxe o celular para a cama. "Assim já vou pensando no que vestir e não perco tempo depois..." Fazia sempre isso, mas nunca decidia que roupa vestir enquanto ainda estava sob os cobertores.
Típica auto-sabotagem...

6h45, era hora de levantar.
Vestiu a primeira calça que encontrou e a janeta com capuz de chuva. Botou um tênis que nunca usava - não queria sujar o all star branco na primeira poça do caminho que certamente pisaria.
Naquela noite, havia chovido torrencialmente e ela havia esquecido a janela do banheiro entreaberta. O banheiro amanhecera alagado.

Ao deparar-se com as lajotas molhadas, não foi buscar um pano para secar como mais tarde dissera à mãe. Nem ligou... Secaria aquilo mais tarde... Quem sabe...
E foi só dar meia-volta para aquele maldito tênis semi-novo vingar-se pelos anos de descaso em que passara guardado em uma caixa empoeirada
Ao primeiro passo, perdeu o atrito e despencou. Doeu. E não foi pouco.

Na rua, evitou as calçadas lisas; ficava imaginando cair de novo com aquele maldito par de tênis. Pensando bem, deveria ter enfiado aquele pisante insolente de volta em sua caixa logo que ele a fez encontrar o chão.

A manhã passou voando de tão leve, de tão vazia...

Na volta, o céu cinza apenas garoava e ela preferiu não abrir o guarda-chuva. Queria sentir as gotas de água batendo em seu rosto - sem um pingo de rímel ou corretivo para esconder olheiras.
Chegou em casa e estava sozinha. Começou a sentir-se bem. Vestiu o pijama e terminou de assistir o musical que não terminara na noite anterior.

O tombo ainda doía...
.

Wednesday, August 12, 2009

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Vinte metros quadrados - queria que fossem verdes.
Um refúgio, uma linha forte que separava sua alma da mediocridade reinante.
Ali sentia-se segura, à parte das diferenças pungentes, das vozes altas, das superficiaidades...
Era o único lugar ao qual podia dizer que pertencia.
O único lugar onde podia sonhar, onde podia sentir-se livre, onde podia desprender seus pés do chão mesmo que fossem por alguns segundos...

Sobe a escada.
Fecha a porta.
Apaga a luz.
.
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Sunday, August 9, 2009

Humana Demais

A questão é que todos sabem que sentimentos não são o que podemos chamar de definíveis.
Mas não importa, eu gosto de tarefas complicadas.

Felicidade é uma coisa estranha.
A idéia universal do conceito transmite uma sensação de constância. Como se quem fosse feliz nunca pudesse ser triste. Como se quem fosse triste nunca pudesse sentir lampejos de felicidade.
Bem, se for assim, felicidade não existe.
Ou, se for assim, eu não sou feliz...
Acho que, se fosse assim, felicidade devia chamar-se plenitude.
Plenitude é utópica. É aquilo que passa em comerciais de margarina ou de caldos Knorr e que tudo mundo finge não saber ser mentira.
Ninguém é pleno.
Ser pleno é não existir.

Ser humano é passar por altos e baixos...
É buscar um dia de solidão para pensar (ou não).
Entrar em contato consigo mesmo e só.
Abrir um caderno e despejar palavras sem muitos porquês.
Ouvir a trilha do filme preferido deitada no telhado e olhando o céu.
Tomar banho no escuro de madrugada.
Não querer ver ninguém.
Querer ver alguém.
Não conseguir segurar as lágrimas e chorar sem saber por quê.
Sentir um peso insustentável simplesmente por existir.

Ser humano é não ser pleno.
Ser humano é ser triste/feliz.

Vitrola: Toss the Feathers - The Corrs

Friday, July 3, 2009

Passos

O mesmo percurso que fazia todos os dias. Absolutamente nada de diferente. As mesmas ruas, as mesmas casas e, quem sabe, as mesmas pessoas. O diferente estava em si - hoje ela não devorava as calçadas, não atropelava os passos por estar mais que atrasada. Engraçado, hoje ela queria que esse percurso durasse muito, que não atingisse seu fim, geralmente tão ansiado.
Hoje ela chutava os passos, permanecia mais tempo com um só pé no chão e nesse meio-tempo, pensava. Havia esquecido, por uns dias, de como gosta de ficar assim, sem nada entre sua mente e sua alma a não ser o ar que aspirava sutilmente. Sentia-se delicada, leve, livre.
Parou em frente ao relicário. Olhou aqueles objetos e sentiu vontade de estar ali dentro, sentiu saudade de tempos que nunca a pertenceram. Um divã estofado em tema florido, uma cadeira de rococós dourados, uma cristaleira âmbar e, dentro, taças reluzentes. Imaginou um candelabro, mas não viu...
Seguiu o passo, viu sua sombra refletida no asfalto e olhou para o céu, havia estrelas e a lua plúmbea parecia sincera ao sentir-se como ela.
Lembrou daquele romance francês que há pouco lera e sentiu-se como aquela heroína sem nome. Era ela mesma. Desejou que para si também aparecessem personagens estranhos com os quais conversaria sobre tudo e nada ao longo da madrugada. Olhou, mas não viu ninguém...
Dobrou a esquina, viu um velho sobretudo cinza avançando pela rua. O senhor, seguido de um cão simpático, olhou para ela. E ela sentiu um leve desapontamento por ser observada. Sentia-se invisível até então...
Estava chegando em casa. Desejou morar sozinha. Apanhou a chave escondida debaixo do cano e coberta por um pedaço de telha, abriu o cadeado e as portas. Subiu lentamente as escadas e deitou-se. Voltava ao normal. A alma voltava ao fundo.

Thursday, May 21, 2009

Um dia...

Minha mãe me disse que um dia eu ia me apaixonar.
Que ia sentir, dia e noite, o peso e a leveza indefiníveis da paixão.
Ah, e ela me disse que quando esse dia chegasse eu não ia conseguir controlar, impedir ou mensurar.

Não há nada a fazer além de render-se...

Já senti algumas vezes indícios desse temporal. Eles tornam-se, com o tempo, cada vez mais confundíveis...

E, no fundo, eu sei que ela estava certa.
Ninguém é impassível.
"Moon River, wider than a mile,
I'm crossing you in style someday..."

Friday, April 3, 2009

Começo a achar que a vida é uma decisão.

Sim, eu continuo acreditando na incrível importância da casualidade em nossas vidas, mas, ultimamente comecei a perceber que a vida some se não tomamos as rédeas. Vi que esse "que venha a mim" que eu andava vivendo era uma mistura muito bem feita de comodismo, medo e uma pitada de arrogância.

É preciso parar de esperar! Fazer as coisas acontecerem. Olhar pra frente e buscar realizar os seus desejos. Os sonhos não vão auto-realizar-se diante dos seus olhos. É preciso andar (não correr), aproveitar cada etapa da busca, mesmo que seja difícil não ver resultados imediatos.


Eu não quero ser escolhida, quero escolher!

Sunday, March 15, 2009

"Correndo atrás"

Eu digo que não gosto de esperar, mas, na verdade, é só isso que eu faço.
Minha vida é uma sequência bizarra de esperas e esperas. Umas passageiras e outras que não parecem ter um fim.

Eu espero estar quase atrasada para sair da cama de manhã.
Espero estar em cima do prazo para ler o livro da faculdade.
Espero que algo bom aconteça quando acho que as coisas não vão bem.
Espero que me digam o que eu sei que sou eu que deve dizer.
Espero que o cara certo me procure, me encontre sozinha numa mesa e pense "parece que é minha essa solidão".

Como aquela menina em um baile dos anos 50 que tinha que ficar sentada esperando e torcendo para que o rapaz que viesse lhe tirar para dançar correspondesse às suas expectativas.
Ou a princesa presa na torre que não podia fazer nada além de esperar que o dragão não tostasse seu princípe e que ele, por fim, fosse adorável e lhe abrisse a porta do carro.

Sabe, quando criança, eu sempre pensei que seria uma pessoa ativa, que corre atrás daquilo que deseja. Mas um dia ouvi minha mãe dizer "Você só corre atrás daquilo que está fugindo. Não corra atrás do que está fugindo". Então, eu acho que, desapontando a menina de 10 anos atrás, eu sou mesmo uma pessoa que espera. Eu sei, posso estar errada, mas, pelo menos vou estar aqui parada esperando para perceber.

Saturday, February 14, 2009

Sopro Minuano

(A Nuvem de Gessinger pra mim)
.
Se está aqui está sozinha
E sozinha não quer mais ficar
Se está aqui é porque quer
Porque não quer mudar
Diga adeus
Diga adeus ou não diga nada
Diga adeus...

Se está chegando o fim da linha
Está na hora de saltar
Se está aqui, está sozinha
E sozinha não quer mais ficar
Diga adeus
Diga adeus ou não diga nada
Diga adeus...

Não vá perder a hora certa no lugar errado
Diga adeus!
Adeus!

A vida não pode ser um contagotas na tua mão
Chuva que não chove
Sol que não sai
A vida não pode ser medida com precisão
Motor que não se move
Nuvem que não se vai

Se está aqui está sozinha
E sozinha não quer mais ficar
Se está chegando o fim da linha
Está na hora de saltar

Não vá perder a vida inteira no lugar errado
Diga adeus!
Diga adeus!

Vai chover
Vai secar
Serão águas passadas
Diga adeus!
Adeus!
.

Sunday, February 1, 2009

Felicidade

Eu prefiro ser assim.
Não ter o brinquedo da tv e brincar apenas em frente à prateleira da loja, sentada no corredor.
Não ter churrascos de família no domingo e sentir o cheiro que vinha da casa ao lado.
Ter inspiração por enormes e fecundos três segundos e tentar segurar algo como fumaça.
Viver à espera, sem saber do quê.

Eu prefiro desfrutar meus pequenos fragmentos de felicidade somente de vez em quando.
Como uma criança que não come o doce todo de uma vez, mas que deseja sentir cada partícula do sabor explodindo sobre a língua. Eu prefiro sentir a felicidade aos poucos, identificá-la, apreciá-la. Não embriagar-me para não perder os sentidos.
Eu gosto de sentir o doce da felicidade em seus aspectos mais grotescos e inacabados. Fora do padrão universal que define o que é felicidade ou não.
Uma felicidade instantânea que brota involuntariamente, sem motivos externos.

A alma que, tímida, parte da escuridão do meu interior e emerge à superfície.
A alma que dá as caras num domingo estranho e só na ponta da mesa de uma cozinha sem luz.

Tuesday, January 20, 2009

A Porta

A busca eterna pela forma exata, a sua forma exata, de dar vazão às idéias, aos sentimentos, às sensações. Sente, diariamente, o incansável turbilhão de milésimas partes de idéias emaranhadas e magníficas, as quais, se encontrada a tal forma exata, ficariam registradas para sempre.
E quem sabe depois de um tempo... um mês, um ano, uma vida, esses fragmentos de brilhantismo pudessem ser analisados à luz do infalível Chronos.
Um quebra-cabeça de pedaços dela mesma.

"Palavras muito puras, gotas de cristal. Sinto a forma brilhante e úmida debatendo-se dentro de mim. Mas onde está o que quero dizer, onde está o que devo dizer? Inspirai-me, eu tenho quase tudo; eu tenho o contorno à espera da essência; é isso? - O que deve fazer alguém que não sabe o que fazer de si? Utilizar-se como corpo e alma em proveito do corpo e da alma? Ou transformar sua força em força alheia? Ou esperar que de si mesma nasça, como uma consequência, a solução? Nada posso dizer ainda dentro da forma. Tudo o que possuo está muito fundo dentro de mim. Um dia, depois de falar enfim, ainda terei do que viver? Ou tudo o que eu falasse estaria aquém e além da vida?"
Perto do Coração Selvagem
.

Saturday, January 3, 2009

Por que esquecemos?

Existe um lugar em nossa mente fadado a esconder lembranças sem a mínima autorização?
Um dia, sem que você tenha se decidido por isso, seu cérebro decide que certa informação é insignificante, que você não vai mais precisar dela, eque ela, debalde, ocupa um espaço deveras importante no seu disco rígido biológico.
Então, lá vai a tal informação para o "Recôndito das Memórias Invisíveis", onde ela existe, mas você não consegue vê-la.
Baseado em que cargas d'água essa pequena massa encefálica decidiu isso no seu lugar?
Pode-se dizer que as informações usadas com menos frequência são as eleitas ao pseudo-descarte?
Ou as mais antigas e menos usadas?
Pois bem... Então como você consegue lembrar que quando tinha três anos de idade você perguntou para o seu pai ao assistir o jornal, "Pai, por que na TV é dia se agora está noite?".
No entanto, mesmo tendo acabado de estudar para a prova de Economia, você esquece que monopsônio é o oposto de monopólio...

E não venha me falar em controle da mente!


Vitrola: Ma jeunesse - Carla Bruni

Sunday, December 28, 2008

Sentiment éternel

Não pertence àquele lugar. Não por causa das pessoas, das circunstâncias. Talvez seja, mas ela não pensa nisso.
O que ela sabe e crê, segura, é que não cabe naquele lugar.
O que acontece não é só um sentimento de segregação. É uma divisão clara, mas imaginária que ela criou para definir o que pertence e o que não pertence ao seu lugar. Quase nada ali pertence.
Ela sabe que é assim. Não se pede para ser assim. Simplesmente se é.
Ela também sabe que isso tudo pode ser fruto de seus clichês. Sua mania aficcionada de transcender conceitos cristalizados em coisas pré-concebidas.
Ela suspeita que, no fundo, profundamente, isso é efeito de seus idealismos. Que é tudo utopia, uma quimera bem fantasiada de sonho realizável.
Há dias que acorda e, de fato, acredita que é póssível juntar suas coisas, botar numa mala e sair dali em busca do lugar que existe em sua alma.
Como anseia partir sem culpa, sem desculpas. Assumir o processo natural do seu coração, o fluxo insaciável dos seus desejos.
Mas há dias que acorda e tem certeza de estar fadada à real realidade.


Vitrola: I Believe in You - Cat Power

Sunday, December 14, 2008

Les Hazards

Sempre tão sutis, chegam leves como brisa e parecem não fazer questão de fazer sentido. Pelo menos à primeira impressão. Somados, eles constroem histórias.

Define-se acaso como aquelas situações, cujos personagens não fizeram acontecer. Ou seja, os acontecimentos não planejados.

A beleza dos acasos, na minha concepção, é magnífica. Fatos casuais e oportunos tecem como teia o destino de quem se deixa ser ensinado pela vida.

E não se trata de viver ao léu, ao Deus-dará. Não. Trata-se de conduzir a própria existência com inocência, sensibilidade e discernimento. A ânsia de controlar o futuro é nada mais que inútil. Não temos controle sobre o que vem à nós. O que será a vida amanhã é um mistério hoje. Isso não é novidade.

Então por que não viver sensível aos acasos que pertencem ao presente e não acontecem por necessidades cotidianas?

Eu aspiro viver os acasos à maneira que merecem. Não perder seus significados, suas metáforas. Porque o amor pode nascer de uma metáfora...





Mas, muito pelo contrário, será que um acontecimento não se torna mais importante e carregado de significação se depende de um número maior de acasos?
A presença de Tomas no restaurante foi para Tereza a manifestação do acaso absoluto. Estava sozinho a uma mesa diante de um livro aberto. Levantou os olhos para ela e sorriu: "Um conhaque!". Naquele momento, o rádio tocava uma música. Tereza foi buscar um conhaque e girou o botão do aparelho para aumentar o volume.
Havia reconhecido Beethoven.
Pediu-lhe a conta. Fechou o livro (sinal de identificação de uma irmandade secreta) e ela sentiu vontade de saber o que ele estava lendo.
Um pouco mais tarde, acompanhou-o até a estação e, no momento de deixá-la, ele lhe entregou um cartão de visita com seu número de telefone: "Se por acaso um dia você for à Praga..."
Muito mais que aquele cartão de visita que ele lhe entregou no último momento, foi aquele chamado dos acasos (o livro, Beethoven, o banco amarelo da praça) que deu a Tereza a coragem de sair de casa e de mudar seu destino. Talvez tenham sido aqueles poucos acasos (por sinal bem modestos e banais, realmente dignos daquela cidadezinha insignificante) que acionaram seu amor e se tornaram a fonte de energia e que ela se abasteceu até o fim.

Somente o acaso tem voz.
Só o acaso pode nos parecer uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e se repete cotidianamente é coisa muda apenas.

_



Vitrola: Hard Sun - Eddie Vedder

Thursday, December 4, 2008

Circunspecção

Atitudes impulsivas nem sempre provêm de pessoas ousadas e determinadas. Na verdade, acho que, na imensa maioria dos casos, são as pessoas incertas que acabam por agir sem pensar.
A incerteza pode exercer dois efeitos: retração ou arrebatamento.
A retração é simples, por não estar segura, a pessoa inibe suas atitudes.
O segundo caso é um caminho escolhido. Opta-se (inconscientemente) por cancelar, adiar ou evitar a reflexão acerca de qualquer dualidade.
Os motivos são vários, medo de decidir, de olhar para os próprios problemas, de admitir as próprias limitações ou, pior, a impulsividade pode ser uma espécie de subterfúgio para inibir a sensação de impossibilidade frente à própria vida.
Pode ser uma covardia, é verdade, mas pessoas que tomam atitudes bruscas, apressadas e infundadas geralmente criam consigo um pequeno caos de estimação.


[two hundred forty seven ways to tell something but you use just the one which puts me in doubt]


Vitrola: Les Jours Tristes - Yann Tiersen

Friday, November 28, 2008

Wood Duck

Eu nem estava com vontade de escrever. Estou com sono, mas uma força estranha me fez abrir o bloco de notas. Aí eu escuto de fundo a música que diz "Vou deixar que o destino mostre a direção".
Só que o destino não mostra direção nenhuma!
Direção, pra mim, é uma seta simples que indica o caminho a seguir antes do primeiro passo. O destino faz exatamente o oposto. O único caminho que ele deixa você ver é a trilha do caminho que já foi.

Eu evito pensar sobre os meus problemas exteriores, meus relacionamentos mal-sucedidos, mal-acabados... E então, meu infinito interior grita! Me chama, me consome.
Eu acho tudo que me cerca tão vão e passageiro. A importância que tudo tem me parece tão transitória. E eu não digo isso baseada em uma filosofia qualquer, digo porque sinto. Eu sinto algo maior, mas não vejo.

Porque eu sou uma mistura misteriosa de sensatez e impulsividade. De vida e morte. De paixão e indiferença. De amor e tristeza. De ousadia e medo. Clichet.

Eu sou igual a todo mundo.
Nunca fui brilhante, talentosa, bonita. revoltada ou diferente.
Eu nunca me encaixei.
Sempre houve algo que me fez sentir alheia.
Mesmo que fosse só para mim...

A saia de tule azul celeste quando deveria ser royal na apresentação da escola. O papel crepom que Tia Cirlene usou não me fez sentir igual. Porque a minha era a única saia não-royal.

E isso, acredite, um dia me fez bem.

Hoje eu sei olhar de fora, consigo me manter impassível.
Aprendi a analisar objetivamente ao envolver-me subjetivamente.

Eu aprendi a construir minha Liberdade.
E ela é indestrutível. Porque é só minha.



Nota:
A história da saia de tule azul celeste é a seguinte:
Era um colégio de freiras. Três meninas. A primeira, filha única, mimada e egocêntrica. Era magrela, tinha um longo e liso cabelo preto, olhos verdes e uma pinta no canto da boca. A segunda tinha um channel de fios loiros e escorridos. Tinha bochechas grandes, mas era bonita. A terceira era esta que vos fala. Tinha seus oito anos e era a única gordinha. Seus cabelos, acinzentados e encaracolados não tinham um aspecto, digamos, favorável.
Eram, as três, amigas.

Para um evento da escola, as freiras organizaram uma apresentação. A música tinha aspecto de pó. Parecia ter sido tirada de um vinil antiguíssimo de cantos gregorianos. Mas elas sentiram-se felizes por terem sido escolhidas para dançá-la.
E então, os preparativos. Os ensaios. Quem coreografou os passos foi a própria freira que as havia convidado. Não foi difícil aprendê-los. O traje, segundo a freira, era simples. Uma saia de tule azul royal e um collant branco. "Collant? Aquela pecinha justa que usava no balé?" Sentiu um tocar de desapontamento. "Vou ter que encolher a barriga", pensou. A saia foi Dona Rosinha quem fez. A velha costureira conseguiu deixá-la bonita, embora a menina achasse que tinha algo errado.

Finalmente chegou o dia da apresentação e ela esperava ansiosa a chegada da noite para dançar. Ao entrar na sala onde estavam as crianças que também se apresentariam naquela noite, ela sentiu um olhar pungente pesar sobre si. Tia Cirlene pegou-a pelo braço e correu levá-la à sala dos professores apanhar algo. Abriu o amário e tirou um rolo de papel crepom. Pegou o grampeador que estava na mesa e olhou para a garota. Os demais professores não perguntaram. Olharam para a menina, para a saia, para o papel e para as duas meninas de saia azul royal paradas na porta da sala com olhar confuso. Tia Márcia, então, veio ajudar. "É só colocar esse papel aqui por baixo e esse azul celeste vai parecer royal".
As meninas dançaram, bonitas, com suas saias azul royal e collant branco.

Ela riu-se e dançou sozinha com uma saia de tule azul celeste e papel crepom.



Vitrola: Os Segundos - Cidadão Quem

Thursday, November 13, 2008

de moi à moi

Você não presta.
Simplesmente não é flor que se cheire.
Cheguei hoje à essa conclusão.
Já podia ter chegado há tempos.
Você sempre consegue fazer a coisa errada.
Em busca de sabe-se lá o quê, mete os pés pelas mãos.
Isso é ausência?
É Medo?
Vontade?
Segredo?
Isso não te faz feliz.

O que você realmente quer?
É preciso definir algumas metas na vida
Estabelecer algumas restrições
É necessário ter em vista o futuro concreto, não só o abstrato.
Amanhã existe mais que ano que vem.
Preste atenção.
Ande na linha.

Quem você pensa que é?



Vitrola: I Stay Away - Alice in Chains

Sunday, November 9, 2008

Há quem goste...

Primeiro os olhares. Aqueles do tipo planejados para parecerem casuais e que, na realidade, são lançados exatamente para serem captados.
Logo (demais) vem o olá.
Aquelas conversas sem tato, sem intensidade, superficiais...
O jeito tradicional de se aproximar.
Para que começar profundamente?
É melhor checar se vale a pena...
Um manual de instruções para fisgá-la direitinho.
Afinal, fisgaria qualquer uma.
O que ela gosta, lê, come, ouve?
Importa?
Por enquanto eu vou jogando meu papinho de bonitão.

Se não der, outra dá.

Um comentário: "Bonitões" nunca me impressionaram.




Vitrola: Le Plus Beau Du Quartier - Carla Bruni

Sunday, August 31, 2008

Friday, August 29, 2008

Il y a longtemps...

Eu não sou boa em começar textos, sempre demoro a definir quais serão os detalhes, qual lógica eu vou seguir, que timbre alguém (quem?) vai ouvir em sua mente quando ler o que eu escrevi.
Hoje eu não pensei antes de abrir um bloco de notas e despejar esse punhado de palavras sem muitos porquês.
Meus dias vêm sendo ruins. Nada aconteceu para que chegassem a ser terríveis e também nada se manteve estável, para serem chamados tranquilos, serenos.
Para descrever em uma palavra: caos.
Alguém que me vê andando na rua, vê uma menina de jeans e bolsa pesada, óculos acrílicos e um certo ar de lepidez. Alguém que olha no olhos profunda e atentamente vê tempestade.

Eu não sou uma máquina, eu choro de raiva, de tristeza, de amor...
Minha alma não tem amigos, nem inimigos

Eu preciso ver, eu preciso pensar, eu preciso não falhar.
Mas erro: sem pensar, eu fecho os olhos.

Eu tenho um infinito dentro de mim.
Um Buraco negro, escuridão.

Eu não sei nada, nem terminar um texto idiota.

Cadê a felicidade?



Vitrola: Quiet - Smashing Pumpkins

Wednesday, August 27, 2008

You know those days when you get the mean gray?

Aquela sensação de impotência outra vez.
Holly certamente chamaria este, um dia red, outros - a maioria - um dia blues, eu chamo cinza.

Não saber o que fazer faz parte da realidade de 99,3% das pessoas comuns. (A estatística é minha, mas não deixa de ser confiável). Qualquer um, em algum momento já esteve entre a faca e a espada. Dilemas são cotidianos e, por vezes, até salutares. Todo ser humano precisa sentir-se livre para definir seu próprio destino.
Pois bem, o caso não é esse. O problema aqui não é decidir entre o flocos e o napolitano, entre o dia e a noite, entre o livro e o filme. O problema não é nem decidir...
O que me aflige constantemente é a passividade que me consome, a calma insana com a qual eu vejo os dias passarem sem, ao menos, tentar mudar o que virá.
E o tormento não se restringe apenas entre dizer ou não dizer, procurar ou fugir. É mais. É o medo de um futuro que eu não sei se consigo mudar.
Um círculo vicioso, é um círculo vicioso!
O passado, eu julgava sensível, porém, intocável e agora ele se escancara na minha frente.
O futuro, ele parece depender tão intensamente de mim e desse meu sangue de barata.
E o presente? Fica neste meio de campo atordoante...

Eu não consigo desatar esse laço que me prende à você.
Um turbilhão de pensamentos surge em minha mente ao mencionar seu nome, um simples indício, uma possibilidade remota de te encontrar e meu coração se agita.

Vitrola: Yellow - Coldplay