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Friday, July 3, 2009

Passos

O mesmo percurso que fazia todos os dias. Absolutamente nada de diferente. As mesmas ruas, as mesmas casas e, quem sabe, as mesmas pessoas. O diferente estava em si - hoje ela não devorava as calçadas, não atropelava os passos por estar mais que atrasada. Engraçado, hoje ela queria que esse percurso durasse muito, que não atingisse seu fim, geralmente tão ansiado.
Hoje ela chutava os passos, permanecia mais tempo com um só pé no chão e nesse meio-tempo, pensava. Havia esquecido, por uns dias, de como gosta de ficar assim, sem nada entre sua mente e sua alma a não ser o ar que aspirava sutilmente. Sentia-se delicada, leve, livre.
Parou em frente ao relicário. Olhou aqueles objetos e sentiu vontade de estar ali dentro, sentiu saudade de tempos que nunca a pertenceram. Um divã estofado em tema florido, uma cadeira de rococós dourados, uma cristaleira âmbar e, dentro, taças reluzentes. Imaginou um candelabro, mas não viu...
Seguiu o passo, viu sua sombra refletida no asfalto e olhou para o céu, havia estrelas e a lua plúmbea parecia sincera ao sentir-se como ela.
Lembrou daquele romance francês que há pouco lera e sentiu-se como aquela heroína sem nome. Era ela mesma. Desejou que para si também aparecessem personagens estranhos com os quais conversaria sobre tudo e nada ao longo da madrugada. Olhou, mas não viu ninguém...
Dobrou a esquina, viu um velho sobretudo cinza avançando pela rua. O senhor, seguido de um cão simpático, olhou para ela. E ela sentiu um leve desapontamento por ser observada. Sentia-se invisível até então...
Estava chegando em casa. Desejou morar sozinha. Apanhou a chave escondida debaixo do cano e coberta por um pedaço de telha, abriu o cadeado e as portas. Subiu lentamente as escadas e deitou-se. Voltava ao normal. A alma voltava ao fundo.

1 comentários:

Neto Verneque said...

sinto falta... e dói...