Não pertence àquele lugar. Não por causa das pessoas, das circunstâncias. Talvez seja, mas ela não pensa nisso.
O que ela sabe e crê, segura, é que não cabe naquele lugar.
O que acontece não é só um sentimento de segregação. É uma divisão clara, mas imaginária que ela criou para definir o que pertence e o que não pertence ao seu lugar. Quase nada ali pertence.
Ela sabe que é assim. Não se pede para ser assim. Simplesmente se é.
Ela também sabe que isso tudo pode ser fruto de seus clichês. Sua mania aficcionada de transcender conceitos cristalizados em coisas pré-concebidas.
Ela suspeita que, no fundo, profundamente, isso é efeito de seus idealismos. Que é tudo utopia, uma quimera bem fantasiada de sonho realizável.
Há dias que acorda e, de fato, acredita que é póssível juntar suas coisas, botar numa mala e sair dali em busca do lugar que existe em sua alma.
Como anseia partir sem culpa, sem desculpas. Assumir o processo natural do seu coração, o fluxo insaciável dos seus desejos.
Mas há dias que acorda e tem certeza de estar fadada à real realidade.
Vitrola: I Believe in You - Cat Power
Sunday, December 28, 2008
Sentiment éternel
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Sunday, December 14, 2008
Les Hazards
Sempre tão sutis, chegam leves como brisa e parecem não fazer questão de fazer sentido. Pelo menos à primeira impressão. Somados, eles constroem histórias.
Define-se acaso como aquelas situações, cujos personagens não fizeram acontecer. Ou seja, os acontecimentos não planejados.
A beleza dos acasos, na minha concepção, é magnífica. Fatos casuais e oportunos tecem como teia o destino de quem se deixa ser ensinado pela vida.
E não se trata de viver ao léu, ao Deus-dará. Não. Trata-se de conduzir a própria existência com inocência, sensibilidade e discernimento. A ânsia de controlar o futuro é nada mais que inútil. Não temos controle sobre o que vem à nós. O que será a vida amanhã é um mistério hoje. Isso não é novidade.
Então por que não viver sensível aos acasos que pertencem ao presente e não acontecem por necessidades cotidianas?
Eu aspiro viver os acasos à maneira que merecem. Não perder seus significados, suas metáforas. Porque o amor pode nascer de uma metáfora...
Somente o acaso tem voz.
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Thursday, December 4, 2008
Circunspecção
Atitudes impulsivas nem sempre provêm de pessoas ousadas e determinadas. Na verdade, acho que, na imensa maioria dos casos, são as pessoas incertas que acabam por agir sem pensar.
A incerteza pode exercer dois efeitos: retração ou arrebatamento.
A retração é simples, por não estar segura, a pessoa inibe suas atitudes.
O segundo caso é um caminho escolhido. Opta-se (inconscientemente) por cancelar, adiar ou evitar a reflexão acerca de qualquer dualidade.
Os motivos são vários, medo de decidir, de olhar para os próprios problemas, de admitir as próprias limitações ou, pior, a impulsividade pode ser uma espécie de subterfúgio para inibir a sensação de impossibilidade frente à própria vida.
Pode ser uma covardia, é verdade, mas pessoas que tomam atitudes bruscas, apressadas e infundadas geralmente criam consigo um pequeno caos de estimação.
[two hundred forty seven ways to tell something but you use just the one which puts me in doubt]
Vitrola: Les Jours Tristes - Yann Tiersen
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