CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

Wednesday, June 3, 2020

Can't help it

Lera ilegalmente que ele tinha saudades de outros corpos, novos corpos, corpos diferentes. Entristecera profundamente pela sensação de que o fim estava chegando. Eles jamais conseguiriam a proeza de ter um relacionamento aberto. Haviam se constituído um casal muito fechado em si, ciumentos dos corpos, da atenção e até do tempo.
O fato de saber expressamente de suas vontades não espantou. Tratava-se do óbvio. Essa geração banhada a sabonete de Nana Gouvea tinha a cabeça alvoroçada desde sempre. Queriam todas e não sabiam esperar.
Mal sabiam esperar, fato sacramentado na duração do coito. Sempre curto, sem preliminares, sem afeto, sem safadeza. Pensou que quem devia estar suspirando por outros corpos era ela. Culpa da consciência machista cristã, nunca nem pensara em expressar um desejo assim. Saudade de dar para outros homens, outras cores, outras texturas, outros ritmos. Sobretudo, tinha saudade de flertar e se sentir desejada. Talvez fosse essa a vontade dele também, o interesse de outrem.
O que doeu naquela noite foi saber que ele estava mais à frente nessa vontade. Saber que provavelmente não iam se safar, que iam se perder.

0 comentários: