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Monday, September 17, 2012

O Vão da Aliteração

Se nada mantém
Se o Devir Eterno sempre vem
E vai ver nos convém
Fingir que vai tudo bem
Mas o que é eu faço?
Quem é que vai ajudar meu passo
Agora que já não posso
Mais dar a torcer o braço
E voltar pro berço
Rezar o terço
E dizer que mereço
Entrar no céu
Me abrigar no dossel
Da irreflexão
Comer feijão
E o pão
Que o diabo amassou e deu pra mim
A sorrir e dizer assim:
"Vem. Vem pro meu festim.
Vai ser bonito."
E hoje, eu reflito
O meu tempo tão aflito
Minha existência profunda e rasa
Profana e em casa
Eu me recolho
Abro a folha e fecho o olho
Enxergo pra dentro
Procuro o centro
Qualquer coisa de simetria
Algo que me faria
Encontrar a farinha
Pro pão nosso de cada dia.

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