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Tuesday, November 2, 2021

Out

 Noite de domingo, 31 de outubro de 2021.

Após o último desentendimento, acertaram que dariam um tempo.

Não foi sem aviso. Por anos ele vinha alertando sobre um fim evidente e agora ela já estava convencida e preparada. 

"Acha que não tenho medo de te perder?/ Eu achava que íamos ter filhos juntos, ficar velhos juntos/ É melhor do que esperar um ano que eu já não vou mais ter sentimento nenhum por você."

Ela começou a procurar apartamentos, mas a amiga lhe falou que aluguel era só com contrato de 1 ano. -Claro, pensou. Mal lembrava como o mundo era lá fora. -Procura um Airbnb, disse a amiga. E assim ela alugou por um mês um quarto sem contrato e pelo dobro do valor.

No dia seguinte, passou o dia todo se forçando a focar no trabalho que precisava dar conta mesmo em casa e num feriado. 

Às 20h, ele chega. Mal dá oi. Vai tomar um banho. Depois, ao encontrá-lo na sala, ela o vê se arrumando pra sair. -Vai sair? -Vou. Por quê? -Quero saber...

Então ela lhe conta que vai pra um Airbnb e que ia levar só algumas coisas, ia deixar o resto pra depois. Seu semblante impassível a deixava nervosa, e aí ele diz "A casa é sua". Só que era claro que a casa não era dela. Ele disse de novo que ia procurar um lugar, que ela podia ficar. Ela achava que ele tinha um pouco de dó.

Sua expectativa para esse momento era irreal e ela sabia. No fundo, queria que chorassem juntos e velassem juntos o fim.

O que ele fez com a informação de que ela estava saindo no dia seguinte foi seguir com o plano de sair com um amigo. Amigo recém solteiro e cheio de aplicativos no celular, ela não dava conta de ignorar.

Ela passou a noite toda velando sozinha. Arrumou as malas e foi esvaziando alguns espaços. Selecionou o que ia levar para o desconhecido e juntou boa parte do que deixava no quartinho dos fundos. Pelo resto da casa, escondeu seus vestígios. Tomou esse cuidado porque o imaginou fazendo isso às pressas antes de receber ali outra mulher. Preferia, ela mesma, cobrir seus rastros.

Como ela era dramática. Se demorava em cada cômodo, buscando o que deveria levar e se despedindo das paredes, dos móveis, das memórias.

Pegou o diário e leu sobre os dias do início, sobre as crises e escreveu sobre o fim.

Entendia esse "tempo" como um prólogo do fim. Sabia que só o trabalho de um bom tempo poderia realizar as mudanças necessárias para que dessem certo. 

Mas muito tempo ninguém tem.

E ela não era boa de timing.

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